Quando estou contigo, vivo o presente antigo, porque a cada momento minhas memórias florescem e minhas origens renascem, passo a me ver no passado que muito desejo, e que o quero fazer ser presente, e nessas horas a dor que meu coração sente, torna-se pequena nesse corpo que tudo consente, que procura respeitar o seu destino, no momento estar longe é uma obrigação e não opção.
E fruto dessa distância, o sentimento de nostalgia e melancolia vai me consumindo, corroendo por dentro, e a tristesa é grande porque só em pensamentos te encontro; por vezes vivo tão intensamente essas lembranças que te sinto aqui do lado, e logo me lembro do teu sorriso iluminado, do teu jeito calmo e tranquilo, transparente como as águas do Nilo, esta é a minha irmã Mirna, que a cada dia se supera e mais frutos germina.
Quero continuar a ser vítima de todos os teus frutos, de toda a tua sabedoria e maturidade, toda tua mestria e criatividade; admirar-te em cada coisa que fazes, e quando me lembro das coisas que fazes, me lembro do teu talento para a culinária, daqueles bolos que fazem entrar em histeria, dos teus pudins coloridos como jardins, dos teus pratos deliciosos, do calulú ao mufete com farinha musseque, que mesmo na cidade te fazem sentir o nguto do musseque.
Quero me espelhar em ti, dizer-te que sempre estarei aqui, agradecer por cada momento, por cada gesto, cada acto, porque só eu sei o que senti, a energia que me absorveu em cada momento, a intensidade com que fazias as coisas para mim, e isso, não tem preço, é algo que me das, mas ainda assim me tira um grande pedaço, porque quero fazer de cada jornada dessas algo eterno e não apenas um momento.
Um obrigado por tudo, minha mana!
